segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Não julgar os outros

"Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês. Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: 'Deixe-me tirar o cisco do seu olho', quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão. “ Mateus 7:1-5

É estranho quando paro para avaliar a minha vida e percebo que diversas vezes julguei inúmeras pessoas, sem nem ao menos conhecê-las de verdade. Como é difícil não julgar, como é difícil analisar uma situação com distanciamento e ter apenas compaixão. É difícil, mas não é impossível.


Todos nós, somos cheios de defeitos e qualidades, e a reunião de todas essas características forma quem nós verdadeiramente somos. Quando julgamos alguém, na grande maioria das vezes estamos observando aquela situação somente com o nosso olhar, que pode estar embaçado pelas nossas crenças, nossos ideais e nossos defeitos. Julgamos um certo comportamento tendo por base nossa própria experiência. E quem pode afirmar que as nossas experiências são as mais corretas?

Uma das coisas que devemos aprender antes de julgar alguém, é entender que as pessoas vivenciam as situações de formas completamente diferentes. Cada pessoa é um ser único e guarda dentro de si um oceano de sentimentos e emoções. Algumas pessoas encaram as situações da vida com calma, outras embarcam num tsunami de emoções, e vão sendo arrastadas para todo canto, se debatendo, com medo. Não posso julgar quem é calmo, e não posso julgar quem está ansioso e nervoso. São pessoas opostas e com vivências diferenciadas.

Aprendi nestes últimos tempos, que antes de criticar, eu preciso orar, pensar positivo, mandar boas vibrações para aquela pessoa, e entregá-la para Deus ou para o amor. Olhar para ela com compaixão. Mesmo quando eu sentir raiva do seu comportamento, eu devo me perguntar, por que será que essa pessoa reage assim? Simples, ela não é igual a mim. Somos iguais, mas também somos diferentes, principalmente no que tange as emoções e reações.

Quando você se sentir tentado a julgar alguém, e isso vai acontecer diversas vezes, acenda a luzinha interna de alerta. Avalie as condições que a pessoa passa ou passou. Muitas vezes, ficamos cegos, perdidos na raiva e no desamor, é só conseguimos ver defeitos. Ninguém aqui pede para você ser santo, não, porque muita coisa é até humanamente impossível. O que é preciso é olhar com mais calma para as situações da vida. O olhar mais calmo e tranquilo é capaz de quebrar preconceitos e barreiras.


Sempre que você se sentir tentado a julgar alguém, pense nas seguintes coisas:

- As minhas experiências de vida são iguais às experiências dessa pessoa?
- Nossa visão de mundo é igual?
- Nós possuímos as mesmas crenças?
- Será que se eu estivesse vivendo tudo isso, eu poderia reagir dessa forma?

Depois, de responder essas perguntas, veja se ainda restarão resquícios de julgamento. Pode ser que sim, mas na grande maioria das vezes não. Pois nós começamos a perceber que cada um de nós irá reagir de forma diferenciada aos acontecimentos da vida. E tudo isso é aprendizado. Quando for julgar alguém, pense antes em ajudar, pode ser com uma palavra amiga, com algum gesto positivo, com a indicação de um profissional de saúde. Ajude e reflita antes de julgar. Como dizia Madre Teresa:

“Se você julga as pessoas, você não tem tempo para amá-las.”

Uma coisa importante, que eu gostaria de esclarecer, é que quando eu me refiro ao não julgamento, eu estou falando daquelas coisas que acontecem no dia a dia, entre pessoas do nosso convívio. Comportamentos de julgamento que dificultam as relações humanas. Eu não me refiro aqui, a julgamentos criminais, de má conduta, entre outros. Para esses casos, existe a justiça civil que fará os julgamentos de acordo com a lei.


Portanto, há de haver discernimento entre o não julgarás. Porque no dia a dia, estamos matando nossas relações profissionais, familiares e sentimentais, porque só sabemos julgar o outro, e só notamos a sua sombra. Muitas vezes nós nos negamos a ver a sua luz. Talvez por medo que ela cegue a nossa ignorância.

2 comentários:

  1. Certa vez li que o julgamento e o preconceito surgem daquilo que não aceitamos em nós mesmos, portanto, quando algo em alguém te incomodar a ponto de vc se sentir impulsionado a julgar, é um bom momento para olhar a si mesmo e se avaliar.

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    1. Com certeza, Vanessa! Sempre é bom olharmos "para dentro" de nós mesmos principalmente quando estamos julgando os outros em demasia.

      Um beijo!

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