Medo do julgamento externo: O que ele pode dizer sobre nós mesmos

Eu tenho passado por um período complicado nas últimas semanas, preocupação excessiva com a saúde, momentos de relaxamento e tensão se alternando, assim como momentos de resistência e fluidez. O fato é que dentro de tudo que tem acontecido, me perguntei diversas vezes a seguinte pergunta:

"O que será que estão pensando de mim?" 



Esse questionamento vinha principalmente em momentos nos quais eu estava tendo alguma crise, ou um pico de ansiedade ou um efeito colateral de um medicamento, eu me questionava o que as pessoas estavam pensando porque me alimento bem, faço yoga e medito, e mesmo assim estou enfrentando picos de hipertensão arterial. Talvez tivessem mesmo alguns questionamentos silenciosos, outros foram verbalizados, em um deles não percebi maldade nenhuma, e em um outro acompanhado da palavra desculpa, senti um certo peso, e uma comparação, talvez de alívio por achar que apesar de "fazer tudo errado" não sofre do mesmo problema de quem "faz tudo certo", já que foi isso que a pessoa verbalizou, e tudo bem também, não fiquei com raiva da pessoa nem nada, acho esse movimento até que meio natural. Porém, isso me fez pensar.

Neste momento, me lembrei de uma frase que a Gisela Vallin sempre fala: "O que está dentro, está fora." E parei para pensar se os julgamentos que acho que percebo nos outros (e que talvez até ocorram) tenham mais a ver com o julgamento que faço de mim mesma, por ser terapeuta, por meditar, por fazer yoga, por tentar me alimentar bem e mesmo assim passar por problemas de saúde. Diante de tudo isso, percebi o quanto estou me cobrando para ser perfeita por trabalhar e passar uma mensagem de autoconhecimento. 

Me cobrando em pensamentos para ser perfeita, para saber o que fazer, saber como respirar, saber como me comportar, saber como cair e como levantar. Eu criei a ideia de ser uma pessoa perfeita. E talvez, ou melhor, certamente já julguei silenciosamente pessoas que falavam de determinado assunto e enfrentaram alguns problemas relacionados ao mesmo assunto, tais como:



- Como pode, um padre com depressão?
- Como assim, ela não falava de relacionamento e se separou?
- Nossa, comia só comida orgânica e está com câncer?
- Praticava esportes e teve problemas no coração?
- Como assim, fala de Deus e agora está todo nervoso?
- Como assim é mecânico de carros e o carro vive quebrando?
- Mas, como assim, é psicóloga e teve depressão pós parto?
- Como assim é careca e passa remédio para queda de cabelo, rs?

O que está dentro, está fora...como diz a Gisela Vallin.
Será que muitas vezes, o que temos medo que julguem em nós também não está em nós? Tememos o julgamento, porque julgamos as pessoas, mesmo que silenciosamente, mesmo que só para nós.
Ou será que aquilo que julgamos no outro também não faz parte da gente, mas não estamos enxergando?

Acho que é um bom momento para refletir, no que temos medo de sermos julgados?
O quanto desse julgamento existe em nós?
Ou o quanto esse medo do julgamento externo pode revelar algo sobre nós mesmos, nossa autocrítica, nossa mania de perfeição.

Enfim, eu continuo refletindo por aqui, inclusive voltei a seguir uma pessoa no Instagram, que parei de seguir, porque achei que ela estava expondo demais suas vulnerabilidades... viu só, tenho medo do julgamento porque julguei, pois é, amigos... o que está dentro está fora. O que acontece no externo nada mais é do que um reflexo do nosso interior, e espero poder ter te ajudado também na sua reflexão.



Estamos juntos :)

"Perfeccionismo é um movimento defensivo. É a crença de que, se fizermos as coisas com perfeição e parecermos perfeitos, poderemos minimizar ou evitar a dor da culpa, do julgamento e da vergonha. Perfeccionismo é um escudo de 20 toneladas que carregamos conosco, achando que ele nos protegerá, quando, de fato, é aquilo que realmente nos impede de sermos vistos." Brené Brown

"Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo." Romanos 2:1


Sugestão de música: Human - Gabrielle Aplin






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