Poema Se - Professor Hermógenes

setembro 08, 2017
Quem me conhece, sabe que sou grande admiradora do trabalho do Professor Hermógenes. Me lembro que quando li sua história de vida, eu estava muito chateada e preocupada com uma doença na minha família. E ao ler sobre a vida do professor, eu me senti muito acolhida, era como se Deus dissesse pra mim naquele momento que tudo se resolveria. Bom, como praticante de yoga, a leitura de alguns dos livros do Professor Hermógenes fizeram e fazem parte da minha formação.

Hoje, eu simplesmente tive o desejo de compartilhar com você, leitor(a) do blog, esse belíssimo poema. Eu espero que você goste.


"Se, ao final desta existência, 
Alguma ansiedade me restar 

E conseguir me perturbar; 

Se eu me debater aflito 

No conflito, na discórdia...

 

Se ainda ocultar verdades 

Para ocultar-me, 

Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas… 

Se restar abatimento e revolta 

Pelo que não consegui possuir, fazer, dizer e mesmo ser...

 

Se eu retiver um pouco mais do pouco que é necessário 

E persistir indiferente ao grande pranto do mundo… 

Se algum ressentimento,

 algum ferimento 

Impedir-me do imenso alívio que é o irrestritamente perdoar,

 E, mais ainda, se ainda não souber sinceramente orar 

Por quem me agrediu e injustiçou...

 

Se continuar a mediocremente 

Denunciar o cisco no olho do outro 

Sem conseguir vencer a treva e a trave em meu próprio...

 

Se seguir protestando reclamando, contestando, 

Exigindo que o mundo mude sem qualquer esforço para mudar-me eu...

 

Se, indigente da incondicional alegria interior, 

Em queixas, ais e lamúrias, 

Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia 

Para a minha ainda imperiosa angústia...

 

Se, ainda incapaz
 para a beatitude das almas santas,

precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...

 

Se insistir ainda que o mundo silencie 

Para que possa embeber-me de silêncio, 

Sem saber realizá-lo em mim...

 

Se minha fortaleza e segurança 

São ainda construídas com os materiais 

Grosseiros e frágeis que o mundo empresta, 

E eu neles ainda acredito...

 

Se, imprudente e cegamente, 

Continuar desejando adquirir, multiplicar, e reter valores, coisas, pessoas, posições, ideologias, 

na ânsia de ser feliz...

 

Se, ainda presa do grande embuste, 

Insistir e persistir iludido 

Com a importância que me dou...

 

Se, ao fim de meus dias, 

Continuar
 sem escutar, sem entender, sem atender, 

Sem realizar o Cristo, que, 

Dentro de mim, 
Eu Sou, 
Terei me perdido na multidão abortada
 dos perdulários dos divinos talentos, 

Os talentos que a Vida A todos confia, 

E serei um fraco a mais, 

Um traidor da própria vida, 

Da Vida que investe em mim, 

Que de mim espera 

E que se vê frustrada diante de meu fim.

 

Se tudo isto acontecer 

Terei parasitado a Vida  
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço De Deus. 
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta."


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