sexta-feira, 27 de abril de 2018

2 anos de blog


Eu resolvi criar o blog “Equilíbrio e Vida” no dia 27/04/2016, há dois anos. No começo ele tinha um nome bem diferente, se chamava “Florais e Você”, porque eu tinha a intenção de escrever sobre terapia floral, que é uma das terapias que mais faz sentido para mim, e que me auxiliou em diversas fases, tanto que agora, sou aluna de um curso de formação em Terapia Floral. Mas, conforme eu escrevia, mais vontade eu tinha de compartilhar as coisas que eu aprendia na TCC (Terapia Cognitivo Comportamental), na terapia floral, nas aulas de yoga, nos livros, nos vídeos. A vontade de compartilhar foi tão grande, que resolvi então, escrever sobre autoconhecimento, alimentação, diversão e arte, terapias holísticas, sugestões dos leitores, livros, e o nome do blog mudou para “Equilíbrio e Vida”.


Se eu tinha medo? Nossa, muito medo. Tinha medo de não ser aceita, tinha medo de ser criticada, tinha medo do que as pessoas iriam pensar a meu respeito, mas eu já conhecia algumas ferramentas para lidar com os medos, então arrisquei. 

Nestes dois anos, contei histórias de vida e superação, falei sobre projetos de terceiros, mas escrevi mais sobre mim. Cada texto, cada dica que você lê, são contados a partir do meu ponto de vista, da minha experiência, da minha rotina. Cada comentário que recebo me deixa muito feliz. Nestes dois anos, eu aprendi a ser mais paciente, a olhar para o outro com mais calma, a olhar para mim mesma pausadamente. Eu aprendi que não dá para controlar tudo, que a vida consiste em deixar fluir, deixar ser. Eu também aprendi que não sou perfeita, e nem quero que as pessoas pensem que eu sou. Aprendi que o outro também não é perfeito, e que a perfeição que eu possa vir a buscar no outro ou nas situações, na verdade é uma projeção dos meus anseios, o que me faz voltar para a realidade.

"Se você buscar pela perfeição nunca estará contente." Leon Tolstói

Assim como você, eu sou muito imperfeita, e aos poucos, vou me descobrindo e a minha intenção é compartilhar com você, os caminhos para esse descobrimento de si mesmo, considerando as perfeições e imperfeições, cicatrizes e marcas, que fazem parte da nossa história.


O blog cresce devagar, mas como disse Lao-Tsé: “A jornada de mil quilômetros começa com o primeiro passo”, e esse passo já foi dado, agora é continuar a caminhada. Um dia de cada vez. Então, eu agradeço a você que lê os textos, a você que compartilhou sua história aqui no blog, a você que me manda sugestões, me escreve, comenta, a você que disse que eu deveria gravar vídeos, e ao invés de me colocar para baixo, me incentivou, a você que compartilha. Obrigada de coração.

Que a nossa caminhada seja longa. Conto com vocês!


Vamos terminar com música?

A sombra - Pitty... para você perceber que você tem que saber se querer com toda beleza e abominação que há em você.





terça-feira, 24 de abril de 2018

O que você precisa retomar em sua rotina?


Você já parou para pensar nas coisas que você costumava fazer diariamente e que você se sentia bem e gostava de realizá-las?
Eu resolvi escrever este texto porque percebi que de alguns meses para cá, eu fui abandonando algumas práticas diárias, às vezes por preguiça ou por falta de tempo, e ao analisar a situação percebi que eram coisas que eu gostava muito de fazer e que aos poucos, eu deixei que elas ficassem muito esporádicas em minha vida, e isso começou a acontecer do mês de fevereiro para cá.

No ano passado, eu li um livro chamado “O milagre da manhã” – Hal Elrod, que trata sobre a nossa rotina, na verdade, é um guia de como realizar as atividades que você gosta logo ao acordar, para que a correria do dia não roube as suas atividades. Seguindo os conselhos do livro, eu elaborei uma rotina diária que iniciava às 05:00 hs da manhã. Eu fazia uma prática de yoga de 30 min, uma prática de meditação de 10 min, e uma prática de visualização de 10 min e escrevia textos e agradecimentos em um caderno. Eu consegui manter essas atividades por três meses. Depois aconteceram alguns problemas familiares, eu me desconcentrei e fui aos poucos inventando desculpas para não realizar mais as atividades.


Com isso, eu fui notando que minhas práticas de yoga e meditação foram ficando esporádicas, e até escrever no meu caderno tornou-se algo que eu fazia quando dava na telha. Só que eu não fazia essas coisas por obrigação, eu gostava de fazê-las, me sentia feliz por ter feito minha prática de yoga e meditação logo pela manhã. Então, me perguntei: “Por que você parou de fazer algo que considera bom para você?”
Pensando sobre isso, resolvi refazer minha rotina. Não seguindo mais à risca, os conselhos do livro, mas adaptando à minha realidade atual. Colocando na rotina aquilo que eu considero estritamente necessário, que é a yoga e a meditação. Então, mudei as coisas, agora acordo às 05:45 hs, faço 20 min de yoga e 10 min de meditação, e pronto. Depois, sigo minha rotina para me aprontar para o trabalho.

Às vezes, damos desculpas para nós mesmos para não irmos correr ou fazer caminhada, damos desculpas para não praticar meditação, damos desculpas para não irmos para a academia ou aula de dança, damos desculpas para não praticar yoga, damos desculpas para a vida que passa depressa. Por isso, hoje eu te convido a olhar para a sua rotina. O que você deixou de fazer? Lembre-se você não precisa seguir à risca um ensinamento de um livro, ou até o que eu escrevo para você aqui no blog, pode simplesmente adaptar à sua rotina. Talvez para você, bastam 15 minutos de corda pela manhã, ao invés de uma prática de yoga de 1 hora, talvez para você basta meditar por 20 min ao invés de correr na orla da praia ou no parque. A ideia aqui, é que você retome as coisas que gosta, e que fazem bem para sua saúde. Por exemplo, para mim, fazer visualizações do que quero que aconteça não me chama muito a atenção, eu prefiro somente meditar e praticar yoga, foi isso que eu fiz.


Então, que tal começar a levantar um pouco mais cedo, 30 min ou 20 min antes. Não precisa ser uma hora antes, não precisa de tanta rigidez, e aos poucos vá incorporando os hábitos bons novamente à sua rotina. Quando você consegue realizar as atividades pela manhã, dá uma sensação boa de dever cumprido. Se formos pensar, à noite, fica realmente mais difícil, porque estamos cansados do trabalho, exaustos, e às vezes, iremos adiar as coisas porque queremos mesmo, descansar, dormir. Realizar as atividades pela manhã, pode ser a saída para que você volte a fazer o que gosta. E ai, vamos recomeçar?

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Como lidar com as interferências

Ontem à noite, eu estava fazendo minha prática de meditação com música, e resolvi ouvir a música do vídeo que está no final do post, que é uma das minhas preferidas para meditação. Sentei em sukasana, posicionei os dedos em jnani-mudra, me concentrei na respiração e comecei a ouvir a música. Acho que não deve nem ter chegado aos 10 minutos, e de repente a música parou, e começou uma propaganda de um app de transporte, sim, no meio do vídeo de músicas utilizadas para meditação, yoga e relaxamento. Pô, youtube, que vacilo!


Na hora, que ouvi o barulho da propaganda alto nos meus ouvidos (eu estava de fone), achei um tanto estranho, e me questionei: “Que porcaria é essa? O que está acontecendo?”. Mas, não abri os olhos, não me mexi, e nem tentei pegar o celular para ver de qual empresa se tratava, a música familiar me fez lembrar da 99 táxis, rs, porque já vi a propaganda em outros vídeos. Eu continuei como estava, obviamente me desconcentrei, sai do foco da meditação que era a respiração e me concentrei na música da propaganda. O mais engraçado, é que logo após o impacto inicial, eu pensei comigo mesma: “É só uma propaganda no meio do vídeo. É chata? É. Interferiu na minha meditação? Sim, interferiu. Mas, vai acabar, vai passar.” E assim foi, a propaganda acabou e a música retornou, e eu voltei a meditar até a próxima propaganda de um carro SUV, que nem sei qual era a marca, sim, duas propagandas e duas interferências.

Depois, que terminei a meditação, comecei a refletir sobre o acontecimento, e pensei em como lidamos com as interferências negativas na vida. Você se deixa envolver com as interferências? Fica nervoso? Consumido pela negatividade da interferência? Ou você somente observa a interferência, analisa as melhores formas de lidar com ela, sabendo que mais cedo ou mais tarde, ela irá passar?


É importante, que saibamos que na vida sempre irá ocorrer alguma interferência. Seja no trabalho, no relacionamento afetivo, na vida familiar, nas amizades. Sempre ocorrerão interferências que irão tirar o nosso foco. Vão nos fazer olhar para elas, e lidar com elas. Mas, o mais importante é não entrar na frequência da interferência, fique consciente dela, observe-a, mas não entrando na sua vibração.

Alguém está te provocando, alguém se comporta como a propaganda da 99 táxis na sua vida, está tirando sua concentração, sua calma, sua paz. Observe e não entre na frequência do ruído, da provocação, deixe a interferência chegar e deixe ela partir. Assim, é na meditação, assim é na vida.

Mas, é preciso treino. E isso você consegue meditando. Observar suas reações, as reações dos outros. Deixar chegar, deixar partir. Quando sentir que interferências negativas estão tentando tirar sua paz, seu foco. Olhe para elas, entenda cada uma delas, mas não entre na frequência negativa delas. Deixe-as ir.

Dica esperta:

1-Se você usa vídeos do youtube para meditar, e acha que não irá lidar bem com as propagandas no meio. Alguns sites convertem os vídeos para mp4. Eu já usei o Keepvid.com  para salvar aulas de yoga no meu celular, e estou pensando seriamente em usar para os vídeos com músicas para meditação. Quando usei para aulas de yoga, deu super certo.

2-Compre CDs com músicas de meditação e relaxamento. Ou faça download de músicas para o celular, assim você não corre o risco de ser interferido por uma propaganda inconveniente.

Um abraço e sorte com as interferências que aparecem na vida!

Esse foi o vídeo. 
A música é ótima.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

O meu all star

Eu tenho dois pares de all star na cor branca. Um que comprei em 2009, e que era meu companheiro nas aulas de anatomia humana na faculdade e que dura até hoje, meio surrado, mas continua usável. E outro que comprei ano passado novinho em folha e brancura até a próxima chuva.

Você, leitor deve estar se perguntando o que um tênis tem a ver com o tema do blog? Esse all star branco tem muito a ver com a pessoa que me tornei. Um dos meus tênis preferidos e que eu só usava com determinada roupa, porque tênis não combina com bata, tênis não combina com camisa, não combina, não combina, eu não combinava comigo mesma para sair de casa combinando com a opinião dos outros.

Eu me pergunto, se você que está aí do outro lado da tela, ainda continua não usando determinada roupa, ainda não fez aquele corte no cabelo, ainda não tentou ser você mesmo porque alguém disse que não combinava. Sua personalidade não combina com este local, seu jeito não combina com o nosso jeito, e você vai tentando se ajustar, tentando se encaixar no padrão alheio, sem ao menos se dar conta que está ocorrendo uma perda de identidade.


O all star branco é o ícone da mudança que começou há 4 anos atrás. Eu amo o conforto que ele traz, a liberdade que ele me dá. Não só pela anatomia, mas pela representação da própria liberdade, de não me preocupar com a visão dos outros, de me sentir  bem comigo mesma. Comprar a blusa que me agrada, ouvir a música que faz sentido, ler um livro que todo mundo acha tosco e mesmo assim ser feliz. Amando as coisas que me fazem inteira. Se você está com dificuldade de assumir seus gostos e opiniões, eu tenho algumas dicas:

Avalie sua vida e suas necessidades
Você sabe do que você gosta? Conhece seus gostos? Conhece a sua rotina? Isso é importante para você avaliar o que cabe na sua vida e o que não faz o menor sentido. Um exemplo bobo, mas que ajuda a entender, às vezes, você vai para o trabalho de bicicleta, e precisa comprar uma capa de chuva, mas em algum momento da vida alguém te disse que você de capa de chuva parece um minion (considerando que ela seja amarela, se for roxa é o minion do mal), e mesmo achando os minions fofos, você ficou envergonhado e decidiu sair na chuva por causa da opinião de alguém. Entendeu? Você está anulando a sua vontade e a sua necessidade para ser aceito pelo outro, que possivelmente não irá tomar chuva na cara. Então, antes de seguir a opinião de alguém avalie como é a sua rotina, e como as suas necessidades serão atendidas caso você considere a opinião dos outros. Opiniões não são ruins, elas só não podem nos anular.

Ligue o foda-se
De vez em quando, acionar este botão é imprescindível para viver uma vida mais leve. Não dá para agradar todo mundo. Se nós fizermos isso com uma frequência muito grande, a chance de vivermos infelizes é muito grande. Olha só, este trecho do livro “A sutil arte de ligar o foda-se”, de Mark Manson: “Presta atenção: você vai morrer um dia. Eu sei que é meio óbvio, mas só queria dar uma refrescada na sua memória. Você e todo mundo que você conhece estarão mortos em breve. E, no curto período entre o agora e o dia da sua morte, você só pode se importar com uma quantidade limitada de coisas. Bem poucas, na verdade. Se sair por aí se importando com tudo e todos sem critério algum, vai acabar se ferrando.” Neste livro, o autor diz também que "ligar o foda-se não significa ser invulnerável, mas se sentir confortável com a vulnerabilidade". Então, algumas vezes não vai dar mesmo pra ficar se importando com que fulano diz ou acha. Mesmo estando vulnerável, esquece e vai viver.


Pratique meditação
Eu sempre dou essa dica porque ela é válida para muitas coisas. Então, procure, pesquise, assista vídeos, leia livros e artigos sobre como meditar, de uma forma que você possa incluir essa prática na sua rotina. A meditação dá uma clareza tão grande para gente, nós aceitamos melhor quem somos e como somos, e se for para mudar, com certeza é para melhor.

Liste as suas qualidades
Às vezes, a gente se importa tanto com o que os outros irão pensar porque não temos consciência das nossas qualidades. Então que tal escrevê-las num papel. Você é uma pessoa divertida? Você canta bem? Sabe equilibrar as finanças? Fala inglês? É atencioso, amoroso? Sei lá... vai listando e principalmente reconheça isso em você. Quando você entende que tem qualidades também, percebe que os outros não vão deixar de gostar de você se você usar all star e camisa, ou pintar o cabelo de rosa. As pessoas vão gostar da sua essência, que é aquilo que é mais importante. Sabe aquelas pessoas que tem um brilho especial? Um brilho que não vem da beleza externa, e sim da alma. Esse brilho é encantador para qualquer um. Nunca se esqueça disso.

O meu all star velho de guerra, só ilustra as minhas mudanças. A sua mudança pode ser o cabelo curto, a camisa jeans, as meias pink, a bike ao invés do carro, a capa de chuva amarela, o brinco gigante, o brinco pequeno, a tatuagem, o anel. Use o que quiser, seja quem é, e se assim você estiver se sentindo bem, você alcançou o objetivo de ser melhor para você.


E por falar em all star, que tal ouvir essa música hoje?



Ah tá, não gosta da Sandy...Tudo bem, temos Nando Reis e Cássia Eller também, faça a sua escolha!




Obs: Este post não é um publieditorial 

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Dos meios e do fim

Por Ingrid Bianchini

"A coisa mais fina do mundo é o sentimento" 

A gente não aposta tudo o que tem de bens materiais sem nenhuma garantia de retorno, ou pelo menos tenta não apostar em totalidade. Para tudo, a gente tende a analisar antes de mergulhar de cabeça financeiramente ou de dispor muito tempo e energia em alguma atividade. Para muita coisa externa a gente pensa nos meios para chegar a um fim. Mas, quando a gente se relaciona e se deixa envolver, parece que o único fim é estar junto, a gente esquece de algo primordial chamado "eu", não é ingenuidade, é porque parece que nada vai dispersar o que se sente, aquela sensação de infinito romantizado passa conforto e segurança, a gente mergulha de cabeça em sentimentos, logo neles que são confusos, mas tudo bem, o bom é viver, sim. 

Quando eu consegui abrir os olhos para a minha "grande aposta" ela já não era mais o meu ideal, apesar de já saber que havíamos chegado ao fim, ainda era turvo demais para aceitar, eu havia apostado alto, abrir mão parecia doer bem mais do que continuar patinando entre brigas e desconfianças com carícias breves, já não havia mais planos para um futuro, estávamos nos baseando num passado lindo e num presente maçante. Claro, enxergar isso no meio do tormento era impossível, mas aceitar, com o tempo, o que tudo realmente era foi libertador. 
Com os olhos mais abertos, eu percebi uma dor híbrida (Será que me enganei? Será que perdi tempo? Será que fui incapaz? É incompetência que chama?) que iria me atormentar por algum tempo, porém ela também seria o meio para chegar finalmente até mim. 


Depois de muito pensar sozinha, olhando para a parede roxa extremamente escura que pintamos juntos, às vezes olhando com pesar para a pilha de jogos que brincávamos a noite, remoer os detalhes que poderiam ter sido diferentes, me cansou tanto que de algum modo meu foco mudou, eu continuava pensando muito sozinha, e essa solidão foi enriquecedora nos meus dias, mas agora eu pensava em mim, eu me refletia, analisava, sonhava pra mim. Isso começou a ficar curioso e fui me dando conta que fazia demasiado tempo que não cuidava desse jeito dessa minha grande amiga que sou eu. Parecia que a vontade de apostar retornava, só que essa nova aposta era centrada em mim. 
Não nego que me peguei sabotando meus próprios sentimentos por achar que estava sendo egoísta por tomar algumas decisões, mas era tão bom pensar em mim primeiro, novamente. Sabe aquela cor que o outro nunca simpatizou e que você sempre gostou? Aquela viagem que foi muito postergada? Aquela foto dos gatos que poderia ter sido pendurada na porta e ainda não tinha sido para se evitar qualquer conflito? Então, quando eu apostei em mim, achei que era hora de tudo acontecer.

A vida tem sido generosa comigo, eu pude aprender de dentro pra fora, que nada me pertence a não ser eu mesma, que não tenho domínio sobre nenhuma outra vida senão a minha e que egoísmo é eu não querer dividir, logo aquela ideia de me colocar no centro de algumas decisões emocionais é amor próprio, nada de egoísmo. Porque eu ainda quero compartilhar muitos sorrisos, choros, surpresas e momentos, só que agora o retorno da minha aposta é único: equilíbrio emocional, paz interior, sanidade. Não é que deixei de mergulhar fundo nas pessoas, muito pelo contrário, mergulhos rasos me assustam muito mais, só penso que agora estou nadando um pouquinho melhor.


Depois de alguns meses (e  apoio de amigos, viu só, é mesmo bem chato ser feliz sozinho, não me atrevo a dizer impossível) as coisas foram mudando mais, as cores das paredes, os pisos, as plantas se tornaram poucas e maiores, a ansiedade foi dando lugar para uma sensação boa, chamo ainda de liberdade de escolhas, mas não sei se é isso, essa é outra liberdade que me permiti recentemente - a de não ser tão exata sempre, escolher por mim é algo que não quero mais perder, porque sim... vamos admitir, a gente se doa de alma às relações (isso ainda acho bom, se não perde o sentido pra mim) e então deixa de se acarinhar (e isso é bem triste). 

Às vezes, fica parecendo que a gente só se ama quando termina uma relação, não é bem assim, mas quando o fim chega, bate a sua porta entregando um embrulho chamado "você" e levando aquele apegado "nós" e você se vê apenas consigo para abrir o embrulho que lhe cabe e se redescobrir é algo singular, então, nesse ponto é que aquela dor do fim deixa de ser tão presente e ocupante e passa a ser uma visita esporádica que retorna por meio da lembrança. 


E por falar em lembranças ... elas também se tornam boas e te fazem sorrir. É lembrar com carinho do que foi bom e agradecer a si e ao outro por ter vivido tudo o que pode viver, é dar espaço às novas histórias. 
Afinal, o meio para ficar bem depois de acabar uma relação é cuidar de si, porque no fim das contas você é quem vai estar sempre com você. O sentimento, como dizia Adélia Prado, é a coisa mais fina do mundo, o amor próprio pode ser requinte, mas também é frágil, exige cuidados.

Andando por aí - Paranapiacaba

Hoje, eu vou te passar a dica de um local muito lindo em São Paulo que vale a pena conhecer. É a cidade de Paranapiacaba. Já ouviu falar?

A Estância Turística de Paranapiacaba é um distrito do município de Santo André SP. Segundo o pessoal do passeio guiado, a cidade era o centro operacional da ferrovia que ligava São Paulo ao Porto de Santos. A cidade tem algumas casas tombadas pelo patrimônio histórico, como a Casa Fox. A impressão que você tem quando chega lá, é de estar voltando no tempo. As casinhas de madeira que formam o centro da cidade são um charme à parte.

1

O que fazer por lá?

Andar, andar, andar...brincadeiras à parte, se você gosta de caminhar, a cidade é o local perfeito para isso, e eu vou passar para você o que eu fiz e o que vi as pessoas fazendo para que, quando você for visitar a cidade já tenha uma noção.

Eu e minha família

Eu fiz - Passeio guiado
O passeio guiado custa R$ 10,00 por pessoa, é relativamente rápido, e eles desembarcam no Clube União Lira Serrano, é um lugar agradável, dá para tomar um bom café, e ainda conhecer a estrutura interna do Clube, como o teatro. Os guias vão narrando no passeio um pouco da história da cidade, passando pelos locais mais frequentados, como alguns restaurantes. Mas, acho que só é legal se você fizer assim que chegar lá.

Eu fiz – Visita ao Museu Tecnológico Ferroviário do Funicular
O ingresso custa R$ 5,00. Lá no museu tem várias locomotivas antigas, peças de máquinas, roupas e ferramentas utilizadas pelos operários. É um lugar legal para conhecer. Dá a impressão de estar entrando num cenário de filme de suspense, porque as estruturas são muito antigas. Fica embaixo da ponte, é só descer.

3

 Foto no interior do museu


Eu fiz – Travessia da ponte e visita à igreja
Paranapiacaba tem uma ponte que liga os dois lados da cidade, a parte antiga com a parte mais nova da cidade. Atravessar a ponte, é muito legal. Você tem uma visão panorâmica da cidade, incluindo a Torre do Relógio. Vale a pena. Para chegar até à igreja dá-lhe ladeira, você vai chegar lá em cima bem exausto, mas o lugar é bonito, então a caminhada se justifica.



Eu fiz – Compras na loja de artesanato
Tem uma lojinha de artesanato e produtos esotéricos muito lindinha, é uma senhorinha que atende. Tem mensageiro dos ventos, filtro dos sonhos, cristais. Uma perdição, se você assim como eu, gosta desse tipo de acessório. Pague com dinheiro, a senhorinha não tem máquina de cartão. Fica a dica!

Eu fiz – Visita à feira gastronômica
A feira gastronômica é um espaço onde os produtores da região fazem a exposição de seus produtos. Tem geleia, pimenta, licor, compota, cachaça de...cambuci. Eu não sabia da existência da fruta cambuci até a visitar Paranapiacaba, o único cambuci que eu conhecia é o bairro do Cambuci na capital paulista. Foi uma grata surpresa conhecer a fruta cambuci, é uma fruta diferente, por fora, lembra uma goiaba achatada, com um sabor meio azedinho. É uma fruta proveniente da mata Atlântica, que quase desapareceu, mas que de uns anos pra cá, voltou a ser cultivada de forma sustentável pelos produtores locais. O pessoal da feira promove degustação. Eu sai de lá com geleia de cambuci com gengibre, compota de cambuci e licor de cambuci. Todos uma delícia. Não deixe de visitar a feira.



Eu vi os outros fazerem – Trilhas
Paranapiacaba tem diversas trilhas e cachoeiras. Se um dia, eu for lá novamente, optarei por fazer. No trem, eles oferecem pacotes turísticos. Se não me engano sai R$ 38,00 por pessoa. A cidade tem vários locais com diversas opções de trilhas, que deve ser mais barato. Vale a pena pesquisar antes de fechar com o pessoal do trem.

Eu vi os outros fazerem – Passeio ciclístico e motociclístico
Eu nunca vi tanto ciclista e motociclistas juntos. O pessoal atravessa a ponte e acho que deve seguir pelo Caminho do Sal. O pessoal estava em grupo, e pelo que vi, esses passeios acontecem todos os finais de semana. Eu quase sofri um acidente com um ciclista, eu subia e ele descia a ladeira, ele perdeu o controle da bike e quase me deu uma rasteira com a bicicleta, deu uma disparada no coração, mas no final deu tudo certo, ele caiu alguns centímetros distante das minhas canelas. É bom andar atento se você estiver a pé, porque tem bastante gente de bike e de moto. 

Eu vi os outros fazerem – Fotos
Tinha gente de todo lugar, tirando fotos para todo tipo de gosto. Era foto de noivado, casamento, crianças, modelos, pessoas de clube de fotografia. A gente encontrava com eles direto, atrapalhava as fotos passando na frente, rsrs, mas no final todo mundo se entende, e Paranapiacaba é um charme.

7

Quer conhecer a cidade?
Todo final de semana parte da Estação Luz da CPTM, o Expresso Turístico em direção à Paranapiacaba. A passagem custa R$ 50,00. Se você comprar para mais pessoas, vai ganhando desconto. Só que você tem que comprar as passagens com pelo menos um mês de antecedência. O passeio de trem é muito gostoso. E tem um guia explicando sobre os locais durante a viagem.


Espero que você tenha gostado da dica de diversão de hoje. Paranapiacaba é uma cidade linda, perto de São Paulo e que sem dúvida, vale a pena conhecer.

Dica extra: Não esqueça o protetor solar, se estiver sol, você se queima legal ;)

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Você não pode tocar com cordas quebradas

Este último final de semana, eu estava em casa dando uma arrumada nas coisas, e coloquei um CD com algumas músicas que gosto, e ao ouvir “Broken Strings” do James Morrison com a Nelly Furtado, inevitavelmente refleti sobre o quanto somos apegados ao que já se quebrou. Tentamos ainda tocar com cordas que já se arrebentaram, como se fosse possível tirar delas algum som, ou ainda, alguma nota que seja familiar.

O que nos leva ao apego? O apego por alguém que já se foi? O apego pelo trabalho que adoece, ou não faz mais sentido? O apego pelo amor que se esvaiu? O apego pelo status? O apego pela luta? O apego pelo sofrimento? Ouvindo “Broken Strings”, pensei em todas as cordas que se arrebentaram também na minha vida, e que inevitavelmente eu tive que abandonar os acordes porque era impossível obter ainda algum som vivo daquela situação, e tive que entender que era assim, afinal, não é possível tocar com uma corda quebrada. Me vi, olhando para pessoas admiráveis, que também viram que suas cordas não faziam mais som, e entenderam que esfolar os dedos tentando não era mais uma opção, e assim seguiram, fazendo música com a vida, tentando outros sons e outros acordes, que não deixam ser especiais e belos.


Saber que não é possível tocar com cordas quebradas, é compreender que algumas situações da vida se encaminham também para uma ruptura, que pode ser em qualquer área. Posso tentar ainda tocar as cordas de uma amizade que já não faz mais sentido, posso tentar tocar as cordas daquela profissão que escolhi aos 17 anos, e que hoje, ou talvez nunca tenha me representado, posso tentar tocar as cordas de um amor impossível, ou de um amor que não existe mais, tentando arranhar acordes que não se formarão, tentando ouvir um som que acalente a tristeza da ruptura das cordas, mas pra quê? Arrebentar uma corda na vida, talvez seja a mudança que precisamos, cordas quebradas precisam ser trocadas, ou não se tem mais som. Quando as cordas estão ruins e não se quebram, você pode não enxergar que elas precisam ser substituídas, às vezes, vai se contentando com sons desafinados, mas quando elas quebram, não tem jeito, você vai precisar parar, olhar para essas cordas e trocá-las. Assim, é na vida, situações quebradas, precisam de algo novo, para que você possa continuar a ouvir a música. Talvez precise ser algo novo em folha, ou talvez, o mesmo reinventado, quem sabe.

Insistir em tocar cordas quebradas, é apego. E como somos apegados (eu, me incluo nessa). Soltar, deixar ir, trocar as cordas é um exercício muito difícil. Requer autoconhecimento, empatia. Soltar a situação é entrega. Entrego, confio, aceito, agradeço. Tem uma frase da monja Tenzin Palmo que é a seguinte: “...apego não é amor verdadeiro, apego é só amor a si mesmo.” Só que esse amor a si mesmo, não é aquele positivo, é aquele que faz você achar que sem aquela coisa, sem aquela situação, sem aquela pessoa é impossível dar continuidade, é o amor baseado no medo, o medo que faz você insistir no que quebrou.


Eu espero que você consiga trocar as cordas que se quebraram com equilíbrio, inteligência, carinho, empatia. Espero que eu também consiga fazer isso com as cordas que se quebram na minha vida, e que juntos possamos compor novas canções, canções que preencherão corações completos e afinados, talvez, embalados por músicas diferentes, mas sempre em busca do melhor som.

Ouça a música do James Morrison com a Nelly Furtado, e leia a legenda também :) 

Sorte pra todos nós!