Trauminha e traumão - A importância do não julgamento nas relações humanas

O título deste post é bem estranho, eu sei, mas essa foi a forma que encontrei para dar nome a um texto que ensaio escrever a bastante tempo, sobre as pessoas e seus traumas.

Me lembro que em uma das minhas últimas sessões de terapia com a terapeuta que me atendeu por alguns anos e que sou grata, porque aprendi bastante coisa com ela, ela me disse a seguinte frase:

"Seu trauma nem é tão grande assim."

Como na época, eu já estudava para ser terapeuta floral, e aprendi a nunca julgar um cliente de terapia, achei aquela frase meio sem sentido, não a questionei, mas essa afirmação me fez refletir sobre as nossas caracterizações de traumas e o cuidado que devemos ter ao julgar um trauma pela nossa própria lente e nossas próprias experiências. Para quem trabalha com terapia, seja floral, thetahealing, terapia cognitivo comportamental ou qualquer outra modalidade, uma das coisas mais importantes neste processo é a auto-observação e empatia, e principalmente a ausência de julgamentos. Como percebi que não havia mais afinidade, resolvi parar com a terapia com essa profissional. Hoje me consulto com outra terapeuta, que também é terapeuta floral, assim como eu. 


Dentro desse processo precisamos entender que as pessoas são completamente diferentes, e cada pessoa irá interpretar uma situação de maneira diferente, e essa interpretação não tem a ver com a situação em si, e sim com a forma que a pessoa interpreta, ou seja, a percepção da situação de cada pessoa é completamente diferente, por exemplo, duas pessoas sofrem um acidente de trânsito, ambas foram atropeladas por uma motocicleta na faixa de pedestres, se você conversar com a pessoa A, ela interpretará a situação de uma forma, e a pessoa B, provavelmente interpretará de outra forma, então, o que causará um trauma na pessoa A pode não causar trauma na pessoa B, e vice-versa, por isso, não existe trauminha ou traumão, existem traumas, e não cabe ao terapeuta julgar sua magnitude, uma vez que cada ser humano é único e enxerga o mundo através de suas experiências e crenças (que podem mudar ao longo dos anos).

O não julgamento é muito importante no processo terapêutico, mas também é importante no estabelecimento de relações mais empáticas. Uma das formas mais comuns da falta de empatia nas relações humanas é a invalidação. Às vezes, você conta um problema seu para um amigo ou parente, e ele lhe diz: "Nossa, que coisa besta, você está sofrendo por isso?" E você pode confirmar a invalidação do seu problema, acreditando que você é bobo, pois como pode se preocupar com isso, e então, pode ou não, reforçar uma crença negativa sobre si mesmo. Porém, é importante observar que seu amigo provavelmente enxerga o mundo diferente de você, e o que para você é grande coisa para ele é ínfimo e o contrário também é aplicável. Ouvir com empatia, é entender que aquela pessoa é completamente diferente de você, é importante ouvir o que ela tem a dizer sem invalidar e dar sua sugestão, caso ela tenha pedido. No processo terapêutico, em geral, cabem as sugestões, mas em uma conversa informal com amigos, por exemplo, é interessante observar se a pessoa pediu a sugestão, para que não haja desconfortos na comunicação e no relacionamento.



Então, que possamos ser mais calmos e empáticos em nossos relacionamentos, entendendo que em geral julgamos um fato de acordo com a nossa própria experiência de vida, e isso muitas vezes, pode ocasionar invalidação dos sentimentos alheios, o que para uma pessoa dói a alma para outra pode fazer apenas cócegas, por exemplo, o que para um filho foi só um incômodo passageiro para o outro filho pode ser uma pedra no caminho. A mesma criação? Talvez sim, porém seres humanos diferentes! Por isso, devemos estar atentos à forma como caracterizamos a dor do outro.

Mais empatia é o que desejo para você e para mim!

Dica de floral para tratamento de traumas: Star of Bethlehem 




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