sexta-feira, 9 de junho de 2017

A insegurança em ser você mesmo(a)

Quantas e quantas vezes você se pegou fazendo alguma coisa pensando no outro? Tentando adivinhar o que o outro iria pensar? Tentando adivinhar como o outro receberia a sua ideia ou a sua opinião?

Então, de repente você se deu conta, que você não estava mais fazendo coisas que gosta, ou que você estava omitindo sua opinião porque estava muito preocupado (a) com que o outro iria pensar de você. Eu vou te contar uma história sobre mim que aconteceu há alguns anos, mas ilustra bem o que eu estou querendo te fazer enxergar.

Eu tinha um namorado e nós fomos ao cinema e depois do filme resolvemos dar uma volta no shopping e ir em uma livraria. Ao chegar na livraria demos de cara com o livro “O segredo”, bom, nessa época eu já tinha lido alguma coisa sobre o livro em blogs e concordava com o que a autora dizia, mas ainda não tinha lido o livro, porém era um assunto que chamava a minha atenção. Ao chegarmos perto do livro, o ex-namorado disse a seguinte frase:

“Eu acho as ideias desse livro tão toscas, nada haver. Só gente sem noção se interessa por esses livros.”


A tonta (na época, que fique bem claro) ouviu isso e concordou. Sim, eu concordei com ele, mas a minha opinião era outra. Eu queria ler aquele livro (e li anos depois, hehe) e eu não achava que pessoas que se interessam por este tipo de livro fossem sem noção, mas concordei com ele, disse que tinha a mesma opinião, por quê? Porque havia em mim a insegurança de ser eu mesma. De achar que o outro só me aceitaria se eu concordasse com ele em gênero, número e grau, o que é impossível. Nós podemos ter afinidade com alguém, mas concordar em tudo é humanamente impossível, em uma ou outra coisa haverá divergência. Só que quando nós não confiamos em nós mesmos, existe essa insegurança que te anula, que te faz perder o brilho e você acaba se perdendo de si.

Por isso, é importante sempre, em todas as ocasiões de nossa vida, pararmos um pouco para avaliar para quem e por que estamos tendo determinado comportamento. Será que dentro da sua vida está tendo espaço para que você seja você mesmo(a)? Será que você não está se podando porque acha que tem que agradar o outro o tempo todo? Eu não me refiro aqui somente aos relacionamentos amorosos não. Isso pode acontecer nas relações entre pais e filhos, entre amigos, no trabalho. Por isso, que muitas vezes, você acaba sentindo esse peso e aperto no peito, porque você não expõe o que você realmente pensa, você não expõe quem você realmente é. Isso acontece por medo. Você precisa respeitar um padrão para se sentir bem, e agradar o outro faz parte desse padrão.

Eu não estou dizendo que você deve abrir mão de ajudar o próximo, talvez você não goste muito de ir caminhar no parque, mas seu parceiro(a) te chamou e você foi. Não tem problema nisso, você está abrindo mão de algumas coisas pelo outro e o outro abre mão de algumas coisas por você, normal. Eu me refiro àquilo que começa a te ferir, que começa a te apagar dia após dia. Eu me refiro àquela insegurança que faz com que você concorde com coisas que afetam a sua dignidade como pessoa.


Então, se você percebeu que está perdendo a sua dignidade, talvez seja a hora de avaliar as suas relações com amigos, parceiros, familiares. Avalie como você está se sentindo. Como você tem reagido? Tem concordado querendo discordar? Tem realizado a vontade do outro em demasia e se esquecido de você? Tem uma frase de Jesus que para mim adquiriu um novo significado, é a seguinte:
“Amai ao próximo como a ti mesmo.”

A impressão no primeiro momento, é que você deve amar muito o próximo e até se esquecer de você. Mas hoje, eu interpreto essa passagem de uma outra forma. Acredito que Jesus queria nos dizer que só é possível amar de verdade se você nutre um grande amor por si próprio. Porque quem não consegue se amar, quem deixa o outro levar a sua dignidade embora por medo de não ser aceito, não se ama de verdade, portanto, o que você nutre não é amor, é carência, medo da rejeição, entre outros. Você só será capaz de amar de verdade, sem apego, sem comportamentos destrutivos quando o amor por você for muito grande, ai sim, você consegue amar o próximo com muita afetividade.

Se você concordar comigo, eu acharei ótimo. Mas, se você não concordar, eu acho ótimo também. Eu só quero que você perca a insegurança em ser você mesmo(a), mesmo que você em algum momento discorde de mim ou de qualquer outra pessoa :)


Um abraço!

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